Princesinha do mar

Para Nikita entrar no mar ia muito além do entretenimento. Era um acerto com a memória. Sob as águas ela recorda de seus pais, todos os…

Fonte: Portal do Professor Fonte: Portal do Professor

Para Nikita entrar no mar ia muito além do entretenimento. Era um acerto com a memória. Sob as águas ela recorda de seus pais, todos os domingos, na praia de Copacabana. A família armava a barraca e a galhofa sob um sol encantador.

Também existiu aquele domingo, depois da praia, que marcou como tatuagem sua alma. A tarde que seu pai foi arrancado de casa por tiras da segurança nacional. Da janela do quarto ela assistiu, sem chorar, ao sequestro do pai.

Uma semana antes, no grupo escolar, ela havia declamado o I-Juca-Pirama do Gonçalves Dias: Tu choraste em presença da morte? Na presença de estranhos choraste? Não descende o covarde do forte. Pois choraste, meu filho não és!

Depois que levaram o pai para nunca mais, ela correu até à praia e chorou. Tantos anos passados, Nikita tira a cabeça da água e vê, surgindo do nada, o pai que acena e sorri. Então ela volta a mergulhar.

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2 respostas para “Princesinha do mar”

  1. Marilda disse:

    Nocaute! No canto não cala.
    Obrigada Fernanda querida por tanto talento.

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