Pra fazer a cama

Como será? Tenho certeza que vivemos em um novo mundo. A revolução digital é cognitiva, isto é, aprendemos de forma diferente ao que, como espécie, estávamos…

Foto: Fernanda Pompeu Foto: Fernanda Pompeu

Como será?
Tenho certeza que vivemos em um novo mundo. A revolução digital é cognitiva, isto é, aprendemos de forma diferente ao que, como espécie, estávamos acostumados. Essa revolução não derrama sangue, mas derrama lágrimas.

É super difícil abandonar hábitos. Mas mais difícil ainda é abdicar de formas de pensar. O mundo anterior a este tinha a lógica dos impressos, traduzida no divertido provérbio: Escreveu não leu o pau comeu. A internet mudou isso.

Posso modificar um post à vontade. Escrevo, publico, edito, publico novamente. Garanto que a última versão seja a melhor. Mais louco ainda: garanto que nenhuma versão seja a última. É um jogo que desafia a verdade, pois desfila versões.

Qual o impacto da rotatividade de versões em nossas vidas? Acho que ainda é cedo para mensurar. O mundo impresso traz nas costas mais de 500 anos. O digital, para todos, tem menos de 30. Morro de curiosidade por algo que certamente não terei tempo de viver: a posteridade do digital.

É o amor
Muito difícil nessa altura do campeonato pensar que possam existir regras de sucesso para a redação digital. Em parte porque numa plataforma de bilhões é impossível imaginar que regras sejam ditadas.

No entanto, há regras naturais. Provavelmente paridas pelo bom senso. Acho que a principal delas tenha a ver com amor. Blogar é ação de amor. Notadamente, se ninguém está pagando para você fazer.

Acredito que o grau de carinho que o blogueiro dedica ao seu blog será a taxa de sucesso dele. Nada de contabilizar links, pois na comunicação digital, à  semelhança da impressa, sempre haverá tubarões e sardinhas.

A diferença é que agora as sardinhas podem se expressar. Os tubarões seguirão com o grande público e peixinhos, como eu, se esforçarão para construir, manter e expandir sua pequena audiência. É  vida. É o amor.

Histórias
É fato que histórias são soberanas. Mas muita gente boa ainda não compreendeu o poder delas na área da comunicação. Por experiência, digo que as ONGs têm dificuldades em aceitar que seu conteúdo traduzido em narrativas é mais eficiente do que comunicados, relatórios, registros de seminários.

Os números, em abundância, também não ajudam na comunicação. Se você contar bem a história de uma criança síria (ou de qualquer outro país) vítima da violência de guerra, terá mais efeito do que dizer que 10, 100, 1000 crianças são vítimas todos os dias.

Acho que o poder da história está no DNA da espécie. Porque a gente deve ter passado milhões de anos em volta de fogueiras ouvindo e contando casos reais e imaginários. A verdade é que depois da alimentação, acompanhar histórias é a segunda necessidade básica.

Agora não é qualquer história que nos prende. Tem história chata, previsível, pra boi dormir. Tem história que começa e a gente já adivinha o meio e o fim. Então saber contar também é arte. Mas a boa notícia é que dá para aprender como fazer.


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