Não é pra principiantes

É fácil amar o Rio de Janeiro. Uma monarquia, com o rei no mar e a rainha nas montanhas. Tudo embalado pela orquestra das cigarras. O…

Foto: Beatriz Caldana Gordon Foto: Beatriz Caldana Gordon

É fácil amar o Rio de Janeiro. Uma monarquia, com o rei no mar e a rainha nas montanhas. Tudo embalado pela orquestra das cigarras. O pôr-do-sol explícito. Haja retina para tanto ouro no olhar. E os cheiros? Meu Deus! Maresia, pitanga, dama-da-noite.

São Paulo dá mais trabalho. Exige que antes de encontrar a gente procure. Vira aqui, quebra ali, sobe adiante, desce acolá. Mas, de repente, a beleza vem. É certo que para vê-la é preciso uma educação do olhar.

Mais do que olhar, urge enxergar. Valorizar os momentos. Pequenas brechas no cinza, flores nascidas nas falhas do cimento e o movimento das nuvens. Está bem! Não tem céu de estrelas. Mas há os aviões carregando corações que chegam e saem. E voltam.

Também tem muitas árvores, quando chove dá um medo danado que elas despenquem sobre carros, ombros, cães. Amar São Paulo pode ser doído. A ciadade é exigente. Mas amor é amor. Uma vez começado, só conhece o durante, nunca tem fim.

Veja Sampa da Régine Ferrandis


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4 respostas para “Não é pra principiantes”

  1. Maria Cristina Gonçalves disse:

    Eu morei nas duas cidades, e também as amo. Esse texto é de grande sensibilidade!

    • Fernanda Pompeu Fernanda Pompeu disse:

      Eu nasci no Rio, tinha 15 anos quando papai e mamãe se mudaram para São Paulo. Não precisei “aprender” a amar o Rio. Com Sampa, sigo nessa aprendizagem do amor. Valeu o comentário, Maria Cristina.

  2. zé bento - portuga disse:

    Sou “portuga”…
    Cheguei “coroa” ao Brasil, já lá vão doze anos…
    Já passei pelo Rio e “saboreei” a sua beleza…
    Fixei-me em Sampa…
    Continuo aprendendo…
    Sei perfeitamente o que quer dizer!!!
    Beijinho

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