Leitor

Em ambientes digitais

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Será o Benedito?
Para qualquer leitura que meus olhos vão, encontro a máxima que diz: para conhecer os consumidores basta olhar seus perfis nas redes sociais. Animador para as empresas!

Mas será verdade absoluta? Acho que não. Pois as pessoas, da idade da pedra à idade digital, mentem. Principalmente mentem sobre si próprias. Tirando os fanáticos, os fundamentalistas, todo mundo é legal nas redes.

Assim, a maioria não é racista, não é machista, não é classista, não maltrata animais e respeita crianças e idosos. O que é curioso. Uma vez que o Brasil é racista, machista, classista e bastante violento com pessoas e bichos vulneráveis.

Daí acho que a perfis ajudam sim. Mas não podem sozinhos serem a base de planejamentos e ações. É a velha história de olhar a árvore sem esquecer a floresta.  Interpretar, contextualizar, relativizar seguem sendo – tanto no mundo off-line quanto no online – verbos amigos.

O Leitor
Todo mundo que escreve deseja ser lido, certo? Certíssimo. Mas quando escrevermos pensando em agradar o leitor, na maior parte das vezes, dá errado. Leitores são uma raça inteligente. Eles percebem quando a gente está forçando a barra só para agradá-lo.

O leitor percebe imediatamente que o escritor está sendo falso, ou por  falar do que pouco sabe, ou por exagerar no senso comum e nas frases feitas. Também abusa de termos da moda.

O antídoto contra essa tentação é o escritor ser primeiramente sincero. Tem que escrever o que pensa sem pôr o leitor no papel de juiz. Segundo, só escrever sobre temas que domina. É preciso ter bagagem para soltar os dedos nas teclas.

Isso não quer dizer que o escritor tem o direito de ser desagradável ou chato. O escritor não precisa agradar o público. Mas tem que respeitá-lo. Leitor não é apenas potencial consumidor. Ele tem experiência. Ele pensa.

Repita, repita
Não sei quantos anos você tem. Eu que tenho bastante, peguei a época que a memória foi posta de escanteio pelos teóricos da educação. Passou a ser quase crime decorar que o 7 de setembro é dia da independência, ou que a última Constituição é de 1988. A memória passou a ser chamada de decoreba. Uma ofensa.

É claro, sei que não precisamos gravar na cachola o que o São Google responde para a gente em 5 segundos. Também sei que o cérebro – nossa parte nobre – merece guardar informações muito mais relevantes do que datas e nomes, por exemplo, o nome do Pedro Álvares Cabral.

Mas (sempre há um mas) parte significativa da aprendizagem tem a ver com memorizar. E memorizar tem a ver com repetir. Para lembrar que exceção se escreve com ç, tenho que escrever (ou ler) essa palavras várias vezes. Caso contrário, terei que recorrer ao dicionário eletrônico todas as vezes que escrever exceção.

Penso que a memorização não depende do nosso desejo. Acho que é um jeito do cérebro trabalhar. Ele precisa de repetições para amadurecer conteúdos e habilidades. Depois que memorizou, ele passa voar.


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4 respostas para “Leitor”

  1. Caio Pompeu disse:

    Cada vez mais desconfio da crença na estatística e em entrevistas com potenciais consumidores. Perfis em redes sociais acabam de entrar pra minha lista tb. :)

  2. […] entanto, o leitor não se interessa pelo trabalho que dá escrever, revisar, otimizar e postar um texto. Ele quer um […]

  3. […] Ou talvez funcione como aviso que devemos refazê-la com muito mais atenção. Escrevemos para o leitor. Ele tem que nos entender sem fazer […]

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