Era uma vez na PUC

22 setembro 1977

Desenho: Eliana Paiva Desenho: Eliana Paiva

Mas agora que as vozes sumiram no corredor, Eloísa se viu sozinha e descansada. Então pôde observar o quarto de hotel, passando seus olhos castanhos indefinidos pelo guarda-roupa. Depois deteve-se no cobertor de cor abóbora.

Seu lábio superior tremeu por um segundo. Ela fez uma careta horrível que de tão fugaz ninguém viu, nem mesma eu que escrevo isso.

Quanto tempo faz? Ah, foi em 1977. A cena veio em cheio, não obstante o tempo. O barulho dos cassetetes estourando o verniz das portas, botas massacrando o assoalho. E o medo. A bomba de gás lacrimogêneo ao estourar é de cor abóbora.

Seu lábio superior tremeu por um segundo. Ela fez uma careta horrível que de tão fugaz ninguém viu, nem mesma eu que escrevo isso.

Depois deram o nome de Invasão da PUC – Perdizes. Os soldados eram em número grande. Havia também os agentes à paisana, mais temidos do que os fardados.

Em minutos estavam dentro, ameaçadores. Na rampa do Prédio Novo fizeram um corredor polonês. Bateram alternadamente nos estudantes. Eloísa escapou da cassetada, mas carregou para sempre o medo.

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4 respostas para “Era uma vez na PUC”

  1. Ivana Lopes disse:

    Época terrível e sombria!

  2. Cristina Andrade disse:

    Agora é tão terrível e sombrio quanto a Ditadura Militar fascista a Ditadura Judiciária Fascista maçônico é tão terrível quanto a militar ela é injusta não segue a Constituição Brasileira segue o que um bando de Bandidos ladrões determinam para entregar o Brasil para os EUA de graça com o povo dentro para ser mão de obra barata poucos se apostaram do Brasil.

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