Arrogância – Que mal ela nos faz

Não existem bebês arrogantes

Capitão Kid na releitura da Régine Ferrandis Capitão Kid na releitura da Régine Ferrandis

Nariz em pé, topete alto, olhar para cima, ouvidos tampados são apenas alguns sinais que insinuam o rosto da arrogância. Velha conhecida de todos nós, ela é a genuína expressão dos tolos que acreditam ter poder. Ela nos faz muito mal.

É fato que é um mal democrático. Adoece porteiros, médicas, professores, jornalistas, flanelinhas, advogadas, executivos, ongueiros, cientistas. Seu mais grave sintoma é a perda do ouvido. O declínio da capacidade de ouvir.

O arrogante se acha o máximo. O rei da cocada preta. A chefa do terreiro. O comandante da banda. O abre-alas da solução. Muitas vezes, ele não faz isso por maldade. Mas porque acredita mesmo que a verdade o escolheu. Sigam-me ou sigam-me, é o slogan da arrogância:

Só eu sei como preparar o melhor suflê. Só eu sei como escrever bem.  Eu tenho a resposta independentemente da pergunta.

Repare que não existem bebês arrogantes. A arrogância não é inata. Ela é uma construção. Tem a ver com ideias de superioridades. Uma classe mais endinheirada. Uma raça e um gênero dominantes. Uma nação mais armada.

No lugar de eu tenho a força da personagem de quadrinhos He-Man, o arrogante brada: Eu tenho a verdade! Ora, quem arroga a verdade não necessita ouvir as verdades dos outros. Aliás, para ele, as outras verdades são mentiras. Por isso também o indivíduo arrogante se sente meio só.

Mas antes de apontarmos os dedinhos para os arrogantes de plantão, é bom procurar por sintomas do mal em nós mesmos. Porque não tenho dúvida de que todo mundo tem lá suas arrogâncias.

Por exemplo, quando jovem, fui bastante arrogante. Estudante da Universidade de São Paulo, militante da tendência Liberdade e Luta, me achava o máximo. A cerejinha do bolo. Acreditava que apenas eu e meus amigos sabíamos como mudar o mundo.

Foi doce a ilusão e a azeda a decepção. Pois o mundo muda sim, mas não com a vontade e a verdade de alguns. Ele muda com o desejo e a força de muitos. E nenhuma mudança ocorre sem contradições e vozes dissidentes.

Remédio contra a arrogância? Deixar a folha de vida correr. Prestar atenção nas pessoas e na maneira de cada um resolver os problemas. Você vai se surpreender com as soluções encontradas pelos outros.

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8 respostas para “Arrogância – Que mal ela nos faz”

  1. Helena Maria Ferrari disse:

    Reflexão muito boa,como sempte beleza,maturidade e sabedoria,foca em um problema que parecendo ser uma manifestaçao de caracter,é muito mais,e causa tanto male estar…

  2. Cristina Andrade disse:

    A arrogância é um mal que pode pegar a todos os Fascistas são todos arrogantes com certeza cem por cento. Sempre temos que estar atentos conosco para ver se não estamos arrogantes temos sempre que lutar contra esse grande mal.

  3. Angela Britto Pereira disse:

    Muito bom.

  4. Ivana Lopes disse:

    Muito bacana seu texto. Ótimo para nos fazer refletir sobre nossa própria arrogância e a dos outros. Quando leio ou penso em temas assim cada vez mais me convenço de que se a gente aprendesse que todos somos seres diferentes e únicos, mas que todos temos valor e que ninguém é superior a ninguém, o mundo seria um lugar muito melhor pra se viver.

    • Fernanda Pompeu Fernanda Pompeu disse:

      Ivana querida, eu também acredito que o mundo é o que a gente faz dele. Nós somos o mundo. Daí se a gente quer melhorá-lo, temos que nos melhorar também. Estamos juntas, beijo.

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