il duce

De amargar

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Em 1966, eu fazia o curso de Admissão. Para os menores de 40 anos, explico, admissão era a prova oficial para ingressar no ginásio da rede pública. Nessa época, escola particular era para os alunos excedentes, ou muito religiosos, ou de famílias ricas.

O cursinho Preparatório Boa Nova funcionava na rua Conde de Bonfim, na Tijuca carioca. Além de me ensinar a calcular o máximo e o mínimo múltiplo comum, me ofereceu as primeiras lições de racismo e, consequentemente, de discriminação.

Os cinquentões seu Antônio e dona Leonor, casados, eram os professores e donos do caixa. Sem querer ofender pessoas que pelas contas dos anos podem estar enterradas, digo: o casal era assustador. Ele parecia o Mussolini. Ela, a primeira dama das ideias autoritárias.

O casal comparava a injustiça do mundo a uma ordem natural. Algo como pitangas caem de pitangueiras. Jabuticabas, de jabuticabeiras. Assim, brancos nasciam com vocação para vencedores, mas tinham que lutar. Negros nasciam com DNA de perdedores e o a fazer era se resignar.

No Boa Nova só havia alunos brancos. Remediados, é verdade. Seu Antônio apontando uma régua de 90cm em nossa direção, alertava: Se vocês não estudarem vão enegrecer.

Uma manhã, tomada de coragem, perguntei: o que seria exatamente enegrecer? O professor atirou a resposta na minha testa: Virar negro é ser o trocador do ônibus e não o motorista. Elevando ainda mais a voz: Enegrecer é candidatar-se a burro sem rabo.

Para quem não lembra, burro sem rabo é o apelido que se dava aos empurradores de carroças de mão. No Rio de Janeiro dos anos 1960 era comum vê os burros sem rabo entre carros e bondes. A maioria absoluta deles era de homens negros.

Dona Leonor, exultante, mexia com a cabeça confirmando os vaticínios do mestre. Os alunos se fingiam de mortos.

Leia mais sobre a Tijuca dos anos 60


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3 respostas para “il duce”

  1. lucio monte mota disse:

    Até hôje nós sabemos o que significa MDC e MMC,agora PMDB,PSDB,PDC,PMM e et cétera.?

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